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Os impactos da saúde na maternidade preta

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Mais da metade das mortes maternas no Brasil acontecem entre mulheres negras

Quando falamos da maternidade da mulher negra é impossível não considerar todos os aspectos que envolvem esse trajeto, desde a gestação, o momento do parto e o nascimento do bebê.

Mas por que é tão importante falar especificamente sobre a maternidade preta? De acordo com dados destacados por Fernanda Lopes, doutora em Saúde Pública, as mulheres negras têm duas vezes mais chances de morrer por causas relacionadas à gravidez, ao parto e ao pós-parto do que as mulheres brancas.

Essa informação foi frisada durante a 4ª Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial (Conapir), em 2018, onde também foi apontado que mais da metade (54%) das mortes maternas no Brasil acontecem entre mulheres negras de 15 a 29 anos.

Violência obstétrica contra mulheres negras

“Toda a gestação é um processo muito delicado, tanto no sentido fisiológico, pela série de mudanças que acontece no corpo da mulher, quanto no quesito emocional”, explica Elisangela Ribeiro, médica obstetra e especialista em Reprodução Assistida.

Segundo a obstetra, é comum que a mulher tenha dúvidas e angústias, e é fundamental que a gestante receba amparo do profissional que a acompanha. Mas nem sempre é o que acontece com as gestantes negras.

De acordo com o estudo “A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil”, conduzido por Maria do Carmo Leal, doutora e pesquisadora em Saúde Pública, mulheres negras receberam menos orientação durante o pré-natal sobre o início do trabalho de parto e sobre possíveis complicações na gravidez.

Além disso, em comparação às gestantes brancas, as mulheres negras recebem menos anestesia local em casos de episiotomia, quando, durante o parto, é feita uma incisão na região do períneo para ampliar o canal de passagem.

Ainda de acordo com o artigo, as puérperas de cor preta possuem maior risco de terem um pré-natal inadequado, ausência de acompanhante e peregrinação para o parto.

Gestantes negras durante a pandemia

No início de 2020 vimos o mundo virar de cabeça para baixo com o surgimento do coronavírus (COVID-19), causado pelo vírus SARS-CoV-2.

Nesse contexto, um estudo publicado pelo jornal científico International Journal of Gynecology & Obstetrics levantou que o Brasil concentra 77% das mortes de gestantes e puérperas. Entre as vítimas, a mortalidade materna de mulheres negras por Covid-19 é duas vezes maior do que a de mulheres brancas.

Registros do Ministério da Saúde ainda apontam que, em comparação às mulheres brancas, o número de gestantes hospitalizadas por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) com confirmação de Covid-19 foi maior entre negras e pardas. Entre as gestantes negras hospitalizadas, 14,2% foram a óbito.

Para os pesquisadores do estudo, o sexismo, as barreiras sistêmicas e econômicas, a desigualdade social e o descaso da saúde pública contribuíram para a acentuação de mortalidade entre esse grupo de mulheres.

A maternidade preta no contexto social

Muitas questões estruturais e sociais impactam a experiência de maternidade da mulher negra, questões que vão desde a saúde pública até após o nascimento do bebê.

A maior mortalidade materna entre as mulheres negras aponta para uma sociedade ainda repleta de desigualdades sociais e com racismo estrutural profundamente enraizado.

Para a obstetra Elisangela Ribeiro, para melhorar significativamente os resultados referentes à maternidade da mulher negra, é preciso viabilizar ainda mais o acesso aos cuidados médicos e à saúde básica.

“Quando se proporciona um sistema com igualdade, um ambiente saudável e mais responsivos às necessidades da gestante negra, só assim é possível assegurar uma saúde para essa mulher e para o bebê”, finaliza a médica.

Fonte: Thaynara Moreira para o site Minha Vida

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