Advertisement Section

Pesquisadoras alemãs descobrem ‘rede social’ africana de mais de 50.000 anos 

Tempo para ler1 Minutos, 48 Segundos

Acredita-se que a “rede social” atravessava milhares de quilômetros do continente africano e seria a mais antiga da história.   Diferente das redes sociais dos dias de hoje, que utilizam a internet como maneira de comunicação, essa comunidade africana foi estabelecida com base na troca de miçangas feitas com as cascas de ovos de avestruz.   De acordo com estudo publicado na revista acadêmica Nature por cientistas alemães, as miçangas de ovos de avestruz eram trocadas entre comunidades distantes, como uma maneira de compartilhar mensagens simbólicas e fortalecer alianças.  

“É como seguir uma trilha de migalhas de pão. As miçangas são pistas espalhadas através do espaço e do tempo, apenas esperando para serem encontradas”, disse Jennifer Miller, pesquisadora do Instituto de Ciência da História Humana Max Planck, da cidade de Jena, na Alemanha e uma das autoras do estudo.  

Colar de contas modernas de casca de ovo de avestruz da África oriental. Crédito: Hans Sell

pesquisa analisou artefatos encontrados em 31 lugares diferentes nas regiões leste e sul da África, num trajeto superior a 2.800 quilômetros. Analisando o tamanho das miçangas, o diâmetro externo, grossura e tamanho do buraco no centro, as cientistas conseguiram chegar à conclusão de que alguns dos artefatos tinham cerca de 50.000 anos de idade.    

As miçangas foram encontradas em locais muito distantes um dos outros, como na região que hoje fica a África do Sul, no extremo sul do continente e o Quênia, na região centro-leste da África.   “O resultado [da pesquisa] é surpreendente, mas o padrão é claro”, explicou outra autora do projeto, Yiming Wang, também do Instituto Max Planck.

Esta tradição de troca das miçangas de ovos de avestruz demonstram um ponto crucial da história da humanidade, segundo o estudo, que é o da manufatura dessas jóias, ao invés de somente reutilizar elementos da natureza. As miçangas possuíam diferentes formas e tamanhos, e as pesquisadoras também supõem que a troca de técnicas sobre artesanato, poderiam estar envolvidas na chamada “rede social”.  

O desfiladeiro de Oldupai, na Tanzânia, um importante local nos estudos da evolução humana, está passando por um período de seca e chuvas mais curtas e irregulares. Crédito: Yiming Wang

Ainda de acordo com o estudo, cerca de 33.000 anos após seu início, a “rede social das miçangas” chegou ao fim. O costume de usar os artefatos desapareceu na região sul da África, e só foi mantido na região dos países do leste. As pesquisadoras acreditam que mudanças climáticas tenham sido o principal motivo do término da antiga tradição.

Fonte:  Sputnik Brasil

Happy
Happy
0
Sad
Sad
0
Excited
Excited
0
Sleepy
Sleepy
0
Angry
Angry
0
Surprise
Surprise
0

Deixe uma resposta

Previous post Jovem negra não se intimida e denuncia PMs por racismo após ser tratada como “suspeita”
Next post Artigo na Folha inventa o “supremacismo negro” e provoca reações
%d blogueiros gostam disto: