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Inspirado na mãe, jovem empreendedor cria Boneca Pretta

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Empreendimento de favela no Rio garante representatividade para crianças pretas

Beatriz Carvalho, da ANF para o Portal Terra

Ainda hoje notamos o predomínio de bonecas brancas, com padrão europeu, nas prateleiras das lojas. Pensando em transformar essa realidade através de brinquedos que fortalecem a identidade e a autoestima de crianças pretas, o universitário Luan Nascimento criou o empreendimento Boneca Pretta. O negócio social surgiu depois que sua mãe, Adriana da Silva, ganhou sua primeira boneca que a representava — uma boneca preta – aos 48 anos.

O acontecimento inspirou o jovem a criar um perfil no Instagram, no qual, de forma lúdica e criativa, as bonecas foram protagonizando postagens, envolvendo educação, ativismo e saúde mental das pessoas negras.

Luan, a mãe, Adriana, e as bonecas pretas: representatividade!
Luan, a mãe, Adriana, e as bonecas pretas: representatividade!Foto: Luan Nascimento

Mesmo contando com o patrocínio inicial da mãe, a primeira venda do Boneca Pretta aconteceu em 2019, por meio das redes sociais. Agora, já foram vendidas mais de 100 bonecas, as quais são enviadas para todo o país, principalmente para a Bahia e São Paulo. Embora as crianças se encantem com os produtos, o público que o empreendimento pretende atingir são os adultos, já que o objetivo é facilitar o acesso a brinquedos antirracistas ao maior número de pessoas. “Muitas mulheres me procuram com o desejo de fazer a alegria da sua criança interior, se presenteando com uma boneca que a represente. Muitos pais também querem presentear seus filhos, tanto pretos, quanto brancos”, diz Nascimento.

Para além de um negócio, o perfil do Boneca Pretta é uma oportunidade de mostrar mais sobre a história mundial da negritude. Atualmente, a página tem mais de seis mil seguidores e as postagens semanais são educativas e antirracistas — falam de grandes matriarcas como Tia Ciata, cozinheira e mãe de Santo brasileira; a sambista Clementina de Jesus e até a cantora mineira pouquíssimo conhecida no cenário musical, Aparecida Martins, que sempre foi cercada pela música africana e merece ser reverenciada pelo povo negro; entre outras mulheres que lutaram contra o racismo e o machismo por meio da arte e da cultura. Na expectativa de atrair mais clientes e seguidores, Luan pesquisa, elabora e publica os conteúdos criativos encontrados nas suas redes sociais, já as fotografias e produção de cenários são feitas por sua mãe.

Adriana ganhou sua primeira boneca preta aos 48 anos
Adriana ganhou sua primeira boneca preta aos 48 anosFoto: Luan Nascimento / ANF

Os planos para o futuro da iniciativa vão além da internet e das vendas de bonecas, mesmo sem nenhum financiamento de âmbito público ou privado, o ativista planeja realizar doações de suas produções para os moradores da Ilha do Governador, zona norte carioca. Neste mês, o Boneca Pretta lançará um catálogo na internet com valores das bonecas e bonecos retintos, com cabelos black powers, com deficiência, os orixás, heróis negros brasileiros e todas as personagens que representam a resistência da negritude. Assim, pretende democratizar o ato de brincar em um mundo imenso de possibilidades para as próximas gerações. Nesse sentido, Nascimento lembra a emoção da pequena Elis, apelido Lili, de apenas 2 anos, ao se reconhecer em uma boneca preta da Mulher Maravilha. “A cliente gravou a filha ao abrir a caixa e imediatamente se reconhecer na boneca: “parece com a Lili”. Esse gesto fez tudo valer a pena”, conta.

Afroempreendedorismo e internet

Na maioria das vezes, o ramo do afroempreendedorismo está diretamente ligado à comunicação, à indústria da beleza a aos cuidados em geral, foi o que revelou a pesquisa “Afroempreendedorismo Brasil”, desenvolvida pela RD Station, Inventivos e o Movimento Black Money. Divulgado em maio de 2021, o objetivo da organização é mostrar as características do empreendedorismo negro no país e como pequenos e médios empresários pretos movimentam cerca de R$ 1,73 trilhões por ano no Brasil, mas ainda existe uma diferença de 40% na renda em relação à população branca.

Reprodução Instagram @bonecapretta
Reprodução Instagram @bonecaprettaFoto: Reprodução / ANF

Sobre o assunto, Gabriela Anastácia, mãe e empreendedora no ramo da comunicação digital, acredita que o combate ao racismo institucional e estrutural cresceu, mas ainda há muito trabalho pela frente. “A fatia da população negra que empreende no país, em sua maioria o faz por necessidade – diante da escassez de postos de emprego. Mas há ainda aqueles que empreendem por área de interesse ou por propósito”, a jornalista deixa um estímulo para quem deseja empreender através da conectividade: “as mídias sociais, mesmo com todas as complexidades que apresentam, são espaços que permitem a amplitude de vozes. Pessoas comuns conseguem divulgar seus projetos, chegar a outros territórios e até quebrar a barreira cultural. É preciso paciência e constância para alcançar resultados através delas”, garante.

Instagram @bonecapretta
Instagram @bonecaprettaFoto: Reprodução Instagram

Fonte: Portal Terra

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