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Reflexões sobre a sexualidade e a sensualidade negra.

Tempo para ler2 Minutos, 27 Segundos

Marcos Romão

Pedaço de um papo instigado por amigas negras que buscam viver suas vidas sem os mitos eróticos que aprisionam as mulheres e os negros, nas fantasias eróticas dos brancos:
“Estou gostando demais destas reflexões, cara Maria Julia Ferreira. Sexualidade e sensualidade da negra e do negro. Bom saber que tem isto no mundo.

Imagino a Europa Vitoriana e a fantasia sexual dos brancos e brancas sobre o que se passava na África, na Ásia, no Oriente e nas Américas.


Imagino a Casa Grande no Brasil pudico português e a fantasia sexual do branco e da branca, sobre o que se passava nos batuques da Senzala…
Os castigos, torturas e castrações que as mulheres brancas infligiam às mulheres negras pecaminosas, os estupros que os homens brancos praticavam nas mulheres negras que eram o próprio pecado e luxúria incorporados numa pele. Imagino.
Os castigos, torturas e castrações que os homens brancos infligiam aos homens negros que assaltariam sua camas e comeriam suas mulheres com suas picas de 2 metros.
As esperanças que as mulheres brancas tinham em seus sonhos em terem finalmente uma noite de prazer com os homens que traziam o pecado em suas peles. Imagino.
Não havia espaço nem para sexo, nem para sensualidade para a mulher negra, nem para o homem negro.
Objetos não se beijam nem se amam. Friccionam-se nas camas.

O choque e o escancaro da dor, a revelação que a até então elogiada miscigenação racial no Brasil, foi resultado de um estupro continuado.
As informações vinham de canais acadêmicos e arquivos nas mão de brancos e as significações dadas, foram neste primeiro momento, emprestadas pela fantasia em nossa cabeças ainda brancas de intelectuais brancos que ainda éramos. Não se quebra paradigmas sem vivê-los e conhecê-los. Não se arrebentam sintagmas sem vivê-los por dentro.
Ficamos púdicos, irmãozinhos para cá e irmãozinhos para lá. Como tocar no assunto sexualidade e sensualidade se a fantasia sobre nossos corpos era definida pelos brancos?
Edgard Hoover dono da CIA, colecionava vídeos feitos por seus agentes secretos, sobre as trepadas ” fenomenais” de Luther King. Mulheres e homens brancos no mundo cortejavam as ícones e os ícones do Movimento Negro Mundial e do Brasil. Choviam ofertas de cama para nós, que ainda não tínhamos enquanto coletivo o domínio sobre o nosso sexo, nossa sensualidade e nossas fantasias eróticas.
Ou não falávamos de sexo, ou quando falávamos ficávamos atordoados. Vivemos o que podíamos e f..mos então.
Com ou sem “sexo” fizemos nossos filhos e filhas… Estão aí com suas puberdades e amadurecimentos sexuais, sensoriais e eróticos.
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Nossos jovens negras e negros estão aí, diante de um mundo, em que a revolução sexual, privilégio de brancas e brancos das classes médias das décadas de 60,70 e 80 quando a participação dos negros e negras nestas delícias era apenas simbólica….como resume a frase “a mulher é a negra do mundo”… hoje se espalha via whats up por todas as classes e cores… As tatuagens, privilégios dos brancos europeus, se espalham nas camas pretas.
Vejo nas ruas mulheres e homens negras que mostram em seus perfis a frase: Sou dona do meu sexo e daí?
É uma revolução popular sem intelectuais que a dirijam. Atordoa.
Pensar nisto me dá prazer, pois vejo o novo. Me dá prazer mas me deixa atordoado, ainda bem, pois não tenho mais nenhum chavão para definir o que é sexualidade e sensualidade negra.‪#‎marcosromaoreflexões‬

Fonte : https://mamapress.wordpress.com/2014/09/13/reflexoes-sobre-a-sexualidade-e-sensualidade-negra/

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